quarta-feira, 10 de março de 2010

Celular e Internet: dinamizando a relação entre as comunidades surdas e ouvintes

O mundo encontra-se na Terceira Revolução Industrial, período em que as tecnologias fazem parte do cotidiano humano de uma forma quase natural. É fácil ao caminhar pelas ruas ver pessoas usando o telefone celular para falar/ouvir ou escrever/ler mensagens, frequentando Lan Houses para o uso de diversas opções comunicativas na internet como o Orkut ou chats.
Esses e outros inúmeros artefatos tecnológicos facilitam a comunicação, mediando-a muitas vezes entre comunidades com culturas diferentes de uma forma bem democrática. É nesse espaço tecnológico que o surdo conhecedor da LIBRAS ou do bilínguismo pode além de se comunicar com seus pares também efetivar sua comunicação com a comunidade ouvinte. Para Arcoverde (2006) “as novas tecnologias valorizam as interações verbais e inscrevem surdos e ouvintes, interlocutores plurilíngues, em um novo espaço de interação social”.
Dessa forma, as novas tecnologias atuam como formas dinâmicas também no auxilio do letramento surdo. Segundo Lebedeff (2009) o “uso de torpedos na comunicação diária amplia as possibilidades de práticas sociais de leitura e escrita, ou seja, práticas de letramento”.
A internet também possibilita o letramento, além de ser bastante acessível, pois já são hoje inúmeras as residências brasileiras dotadas de internet e até mesmo as pessoas que não possuem computador residencial podem fazer uso no seu trabalho, escola ou Lan House.
Arcoverde (2006) acredita que:
A escrita, através da Internet, possibilita ao surdo escrever o português e pensar em português, fazendo uso social da linguagem escrita incorporada a uma necessidade discursiva. Nesse caso, podemos verificar que os surdos, quando vivenciam essa experiência, podem penetrar numa
situação concreta de enunciação e usar a linguagem escrita em língua portuguesa para interagir com os outros.
As novas tecnologias, dessa forma são uma grande aliada para o combate aos preconceitos, estereótipos e hierarquias, visto que em muitas delas não é possível diferenciar raça ou comunidade a que o outro interlocutor pertence, além disso, a comunicação tecnológica também pode ser utilizada nas escolas como forma lúdica do desenvolvimento da escrita e leitura, possibilitando o letramento acontecer naturalmente.


Referencias bibliográficas:


LEBEDEFF, Tatiana Bolivar. Surdez e Novas Tecnologias. In: Curso de especialização a Distancia em Educação de Especial: déficit cognitivo e educação de surdos: módulo III / [Melania de Melo Casarin... [et al.]] – Santa Maria: UFSM, CE, Curso de Especialização à Distância em Educação Especial, 2009.

ARCOVERDE, Rossana Delmar de Lima Ferreira Macedo. Tecnologias Digitais: novo espaço interativo na produção escrita dos surdos, 2006.



Monarah Simone P. Tomaz - Pós graduanda do Curso Especialização em Educação Especial Déficit Cognitivo e Educação para Surdos.Universidade Federal de Santa Maria - RS.

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